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05/03/2012

Personagens [ 2 ]

Recomendo ler as postagens Conhecimentos técnicos e Técnica para animar antes desta.

Uma vez definido que a técnica para animação seria o recorte digital e que os personagens seriam construídos como uma espécie de colagem (fotografias de objetos distintos), comecei a pensar em um método de captura dessas imagens e organização do material que seria necessário.

A informação que eu tinha sobre esta técnica até então era de que, para animar, eu deveria ter a postos uma "biblioteca" de poses variadas dos membros que compunham um personagem, de modo que ele pudesse executar os movimentos mais livremente. A troca de poses de um mesmo membro (como para fazer a cabeça girar de um lado para o outro) chama-se replacement. E consiste em substituir poses em sequência para causar a ilusão do movimento. Na verdade é possível animar recortes sem utilizar o replacement, não é uma regra. O resultado, porém, é bem diferente. Optei por utilizá-o porque os personagens não teriam expressões faciais e a linguagem corporal seria extremamente importante para compor as atuações, portanto, quanto mais fluidas fossem, melhor.

Os personagens foram compostos por 5 partes móveis: cabeça, chapéu, pescoço, tronco e tripé (confira aqui). Foi preciso analisar muitas vezes o animático para identificar quais posições de cada uma dessas partes seriam necessárias para compor os movimentos esperados, ou pelo menos a maior parte deles. Dessa forma, percebi que a maior parte das poses se dava em ângulos em torno do eixo vertical, o que facilitou bastante as coisas. Elaborei um método para marcar as poses, de modo que cada ângulo fosse coincidente entre os elementos. Como eram objetos distintos e desproporcionais entre si, essa organização foi bastante útil. Posteriormente, foi necessário apenas colocar cada peça na escala devida.

De um modo geral, o esquema de registro das poses funcionou muito bem. Vale a pena um comentário a respeito da cor utilizada no fundo da foto. A escolha foi bastante empírica.  Sem conhecimentos específicos de como iluminar bem o set para esta situação, acabei criando um reflexo verde na superfícies dos objetos que, infelizmente, só percebi na fase de tratamento e recorte das fotos. Retirá-lo foi um trabalho a mais. Foram muitos os detalhes para eu me concentrar no momento de fazer as fotos, que este acabou passando despercebido. Acredito que um fundo mais neutro, com a iluminação utilizada da mesma forma, dispensaria o tratamento de cor e não comprometeria tanto o recorte.

Apenas uma pose de cabeça e objetiva precisou ser refeita. A necessidade de repetir a foto só foi notada depois que a foto do cenário já estava pronta e eu já havia terminado as atividades no estúdio. Foi um desafio refazer este registro fora do estúdio, sem as marcações originais e ter que acertar o ângulo e a luz para que não destoasse tanto da perspectiva e da luz da cena. No fim das contas, acho que funcionou bem porque aparece por um rápido momento. Eis o registro do processo:

Essa foi uma das situações que a Marília Poggiali já havia me alertado quando conversamos sobre a produção do filme dela: depois que os backgrounds de cada cena estavam definidos, seria possível constatar limitações de movimentos imprevistas para os personagens e, talvez fosse preciso adaptar a atuação. Dito e feito. Esse aí é apenas um exemplo das adaptações que foram necessárias.

Por último, mas não menos importante, devo dizer que planejar um personagem em desenho, pré-visualizar a sua atuação em 3d e configurá-lo definitivamente em recorte de fotografias, causou uma certa estranheza em sua aparência. Um pouco frustrante até, porque cada técnica possui uma força expressiva intrínseca e seria impossível (neste caso) transpor detalhes de uma para a outra.  Ao final da montagem do personagem, confesso que não me atraiu muito o novo visual, principalmente do personagem Micro. Foi durante a fase de tratamento dos cenários que eu tive tempo de deixar passar a "depressão pós-parto" e ver que eles tinham a ver com aquele ambiente - que também acompanhou as mudanças de técnica.

11/04/2011

Começando do começo

Este blog foi criado com o intuito de registrar a criação e a produção do meu primeiro curta metragem. É intenção também abrir  espaço para a troca de idéias a respeito das escolhas feitas durante o percurso e dos resultados obtidos.

Para este post inaugural, apresentarei a vocês o contexto de realização do curta. 

Pois bem: o curta Paralaxe faz parte do meu trabalho de conclusão de curso no Bacharelado em Artes Visuais, da Escola de Belas Artes da UFMG. A idéia inicial era produzir um curta com uma duração média de dois minutos, ao longo dos quatro semestres letivos (Ateliês 1, 2, 3 e 4) da habilitação em Cinema de Animação. Resumidamente, as fases da produção se dividiram da seguinte maneira:

Ateliê 1 - 1º semestre de 2009 - estudo e desenvolvimento do roteiro
Ateliê 2 - 2º semestre de 2009 - produção de storyboard e animático
Ateliê 3 - 1º semestre de 2010 - animação das cenas
Ateliê 4 - 2º semestre de 2010 - pós-produção


Este cronograma não foi cumprido à risca, precisei trancar um semestre. Atualmente estou cursando o último ateliê, prestes a começar a pós-produção.

Durante todo o processo tive o acompanhamento dos professores responsáveis de cada ateliê, que me orientaram quanto as alternativas cabíveis ao meu projeto. As decisões, no entanto, foram tomadas por mim, observando a todo momento a distância entre a idealização e a real possibilidade de trabalho, em função do tempo e das ferramentas que eu tinha em mãos. Pude também utilizar o estúdio e equipamentos fotográficos da EBA para fazer a composição dos personagens e registro dos cenários. A construção do cenário e as etapas de animação e pós-produção do filme foram feitas em minha casa.