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13/03/2012
05/03/2012
Personagens [ 2 ]
Recomendo ler as postagens Conhecimentos técnicos e Técnica para animar antes desta.
De um modo geral, o
esquema de registro das poses funcionou muito bem. Vale a pena um comentário a
respeito da cor utilizada no fundo da foto. A escolha foi bastante
empírica. Sem conhecimentos
específicos de como iluminar bem o set para esta situação, acabei criando um
reflexo verde na superfícies dos objetos que, infelizmente, só percebi na fase
de tratamento e recorte das fotos. Retirá-lo foi um trabalho a mais. Foram
muitos os detalhes para eu me concentrar no momento de fazer as fotos, que este
acabou passando despercebido. Acredito que um fundo mais neutro, com a
iluminação utilizada da mesma forma, dispensaria o tratamento de cor e não
comprometeria tanto o recorte.
Uma vez definido que a
técnica para animação seria o recorte digital e que os personagens seriam
construídos como uma espécie de colagem (fotografias de objetos distintos), comecei
a pensar em um método de captura dessas imagens e organização do material que
seria necessário.
A informação que eu tinha
sobre esta técnica até então era de que, para animar, eu deveria ter a postos
uma "biblioteca" de poses variadas dos membros que compunham um
personagem, de modo que ele pudesse executar os movimentos mais livremente. A
troca de poses de um mesmo membro (como para fazer a cabeça girar de um lado para
o outro) chama-se replacement. E consiste
em substituir poses em sequência para causar a ilusão do movimento. Na verdade
é possível animar recortes sem utilizar o replacement,
não é uma regra. O resultado, porém, é bem diferente. Optei por utilizá-o
porque os personagens não teriam expressões faciais e a linguagem corporal
seria extremamente importante para compor as atuações, portanto, quanto mais
fluidas fossem, melhor.
Os personagens foram
compostos por 5 partes móveis: cabeça, chapéu, pescoço, tronco e tripé (confira aqui). Foi preciso analisar muitas vezes o animático para identificar quais
posições de cada uma dessas partes seriam necessárias para compor os movimentos
esperados, ou pelo menos a maior parte deles. Dessa forma, percebi que a maior
parte das poses se dava em ângulos em torno do eixo vertical, o que facilitou
bastante as coisas. Elaborei um método para marcar as poses, de modo que cada
ângulo fosse coincidente entre os elementos. Como eram objetos distintos e
desproporcionais entre si, essa organização foi bastante útil. Posteriormente,
foi necessário apenas colocar cada peça na escala devida.
De um modo geral, o
esquema de registro das poses funcionou muito bem. Vale a pena um comentário a
respeito da cor utilizada no fundo da foto. A escolha foi bastante
empírica. Sem conhecimentos
específicos de como iluminar bem o set para esta situação, acabei criando um
reflexo verde na superfícies dos objetos que, infelizmente, só percebi na fase
de tratamento e recorte das fotos. Retirá-lo foi um trabalho a mais. Foram
muitos os detalhes para eu me concentrar no momento de fazer as fotos, que este
acabou passando despercebido. Acredito que um fundo mais neutro, com a
iluminação utilizada da mesma forma, dispensaria o tratamento de cor e não
comprometeria tanto o recorte.
Apenas uma pose de cabeça
e objetiva precisou ser refeita. A necessidade de repetir a foto só foi notada
depois que a foto do cenário já estava pronta e eu já havia terminado as
atividades no estúdio. Foi um desafio refazer este registro fora do estúdio,
sem as marcações originais e ter que acertar o ângulo e a luz para que não
destoasse tanto da perspectiva e da luz da cena. No fim das contas, acho que
funcionou bem porque aparece por um rápido momento. Eis o registro do processo:
Essa foi uma das situações
que a Marília Poggiali já havia me alertado quando conversamos sobre a produção do filme
dela: depois que os backgrounds de cada cena estavam definidos, seria possível
constatar limitações de movimentos imprevistas para os personagens e, talvez
fosse preciso adaptar a atuação. Dito e feito. Esse aí é apenas um exemplo das
adaptações que foram necessárias.
Por último, mas não menos
importante, devo dizer que planejar um personagem em desenho, pré-visualizar a
sua atuação em 3d e configurá-lo definitivamente em recorte de fotografias,
causou uma certa estranheza em sua aparência. Um pouco frustrante até, porque
cada técnica possui uma força expressiva intrínseca e seria impossível (neste
caso) transpor detalhes de uma para a outra. Ao final da montagem do personagem, confesso que não me
atraiu muito o novo visual, principalmente do personagem Micro. Foi durante a
fase de tratamento dos cenários que eu tive tempo de deixar passar a
"depressão pós-parto" e ver que eles tinham a ver com aquele ambiente
- que também acompanhou as mudanças de técnica.
29/02/2012
Conhecimentos técnicos
A minha experiência com animação antes de iniciar a produção de Paralaxe consistia em: exercícios de desenho animado, experimentações de stopmotion e brinquedos óticos e um pequeno curta produzido em grupo, todos durante o curso de Artes Visuais.
Não havia ainda animado personagens diretamente no computador. Todo o conhecimento relativo às ferramentas para animação e edição foi adquirido durante a produção de Paralaxe, às vezes até em caráter emergencial. Isso porque, sem conhecer as características procedimentais da técnica "recorte digital", não consegui prever algumas manobras necessárias para o fluxo de trabalho seguir tranquilamente. Felizmente, em momentos tensos como esses, pude contar com a ajuda de animadores próximos, dispostos a me ajudarem e com uma paciência indescritível! rs
Quando eu estava com o animático definido e iniciando a produção dos cenários, a Marilia Poggiali me apresentou o processo de produção de seu filme, Cortejo, animado na técnica que eu pretendia e finalizado há alguns meses. Uma consultoria (vip!), que me ajudou a entender o funcionamento e recursos para as camadas dos personagens, as limitações técnicas dos movimentos, a relação disso com os cenários e as atuações, possibilidade de o projeto exigir adaptações, organização do material e outras coisas mais. Enfim, informações valiosas para essa e outras técnicas, mas essenciais para planejar os layouts e animar.
Depois de ter todos os recortes e cenários organizados, foi a vez de tomar mais algumas aulas com o Gabriel Brandão, que me ajudou a compreender e a tocar o funcionamento dos programas de animação, composição e edição. Consultorias valiosíssimas e aliviantes, em situações completamente incógnitas. Ele também me deu uma força na pós produção.
Diversas vezes, a dificuldade em lidar com tantos programas e ferramentas desconhecidas, tornou o processo muito próximo do doloroso. Por mais que eu pudesse contar com a ajuda de pessoas próximas, a maior parte do filme foi feita por mim, completa iniciante em relação a essas tecnologias. E, não tem jeito, meu raciocínio é analógico! rsrs Por mais que eu quisesse alcançar um alto nível de excelência neste trabalho, estaria constantemente limitada por não garantir o alcance deste objetivo em todas as fases da produção do curta. Após cada dura etapa concluída, senti claramente onde estavam minhas reais aptidões dentro do "fazer animação", e onde eu, definitivamente, não tinha competência dentro do processo. Por essas e outras é que Cinema precisa ser feito coletivamente.
Não havia ainda animado personagens diretamente no computador. Todo o conhecimento relativo às ferramentas para animação e edição foi adquirido durante a produção de Paralaxe, às vezes até em caráter emergencial. Isso porque, sem conhecer as características procedimentais da técnica "recorte digital", não consegui prever algumas manobras necessárias para o fluxo de trabalho seguir tranquilamente. Felizmente, em momentos tensos como esses, pude contar com a ajuda de animadores próximos, dispostos a me ajudarem e com uma paciência indescritível! rs
Quando eu estava com o animático definido e iniciando a produção dos cenários, a Marilia Poggiali me apresentou o processo de produção de seu filme, Cortejo, animado na técnica que eu pretendia e finalizado há alguns meses. Uma consultoria (vip!), que me ajudou a entender o funcionamento e recursos para as camadas dos personagens, as limitações técnicas dos movimentos, a relação disso com os cenários e as atuações, possibilidade de o projeto exigir adaptações, organização do material e outras coisas mais. Enfim, informações valiosas para essa e outras técnicas, mas essenciais para planejar os layouts e animar.
Depois de ter todos os recortes e cenários organizados, foi a vez de tomar mais algumas aulas com o Gabriel Brandão, que me ajudou a compreender e a tocar o funcionamento dos programas de animação, composição e edição. Consultorias valiosíssimas e aliviantes, em situações completamente incógnitas. Ele também me deu uma força na pós produção.
Diversas vezes, a dificuldade em lidar com tantos programas e ferramentas desconhecidas, tornou o processo muito próximo do doloroso. Por mais que eu pudesse contar com a ajuda de pessoas próximas, a maior parte do filme foi feita por mim, completa iniciante em relação a essas tecnologias. E, não tem jeito, meu raciocínio é analógico! rsrs Por mais que eu quisesse alcançar um alto nível de excelência neste trabalho, estaria constantemente limitada por não garantir o alcance deste objetivo em todas as fases da produção do curta. Após cada dura etapa concluída, senti claramente onde estavam minhas reais aptidões dentro do "fazer animação", e onde eu, definitivamente, não tinha competência dentro do processo. Por essas e outras é que Cinema precisa ser feito coletivamente.
17/02/2012
Ideias coincidentes [ 1 ]
"Rotineiramente desqualificamos testemunhos e exigimos comprovação. Isto é, estamos tão convencidos da justeza de nosso julgamento que invalidamos provas que não se ajustem a ele. Nada que mereça ser chamado de verdade pode ser alcançado por esses meios."
Marylinne Robinson, The Death of Adam
12/09/2011
Universo da trama
Mais do que decidir o número de figuras atuantes ou o próprio roteiro, num primeiro momento foi necessário pautar o funcionamento do universo da trama. Para isso, fiz uma pesquisa sobre os elementos óticos e fotográficos poderiam dar suporte à ideia inicial. E, dentro do assunto estabelecido, surgiram situações que poderiam ser representadas pelos personagens.

05/06/2011
Principais referências
Para o desenvolvimento do conceito, do roteiro e da visualidade do filme, as referências foram bastante pontuais. A maior parte dos caminhos escolhidos estava em ressonância com alguma obra vista anteriormente.
Duas produções cinematográficas foram referências para a integração entre elementos bi e tridimensionais. São elas:
A idéia de trabalhar o conceito de verdade/realidade a partir da fotografia trouxe alguns estudos teóricos do meio. Entre eles, Susan Sontag, em Ensaios sobre a fotografia:
Duas produções cinematográficas foram referências para a integração entre elementos bi e tridimensionais. São elas:
Viagem à lua (Le voyage dans la lune),
de Georges Méliès. França, 1901.
de Georges Méliès. França, 1901.
A invenção diabólica (Vynález zkázy),
de Karel Zeman. Tchecoslováquia, 1958.
de Karel Zeman. Tchecoslováquia, 1958.
"[...] a fotografia implica acesso instantâneo à realidade.
Mas os resultados dessa prática de acesso instantâneo
constituem outra forma de criar distanciamento.
Possuir o mundo em forma de imagens é, precisamente,
reexperimentar o quão irreal e remota é a realidade."
(SONTAG, 1981, p.157)
A visualidade da "verdade" foi inspirada no trabalho fotográfico dos artistas David Hockney e Christine Burrill, onde a imagem apresentada é composta por diversos fragmentos de pontos de vista:
![]() |
David Hockney
[ fonte da imagem ]
|
![]() |
Dawn - Christine Burrill
[ fonte da imagem ]
|
11/04/2011
Idéias iniciais para o roteiro
O início da elaboração do roteiro me pareceu semelhante a estar diante de uma grande tela em branco: tudo pode, mas não cabe tudo. Branco é a mistura de todas as possibilidades, seja de cores ou de idéias. É preciso fazer escolhas, muitas escolhas, durante o processo de criação. A fase do branco é crítica e tensa, mas passageira.
Queria produzir um trabalho onde fosse possível explorar a fotografia em algum momento. Dentro da minha formação na Licenciatura, essa foi uma das técnicas que mais me chamou a atenção e dediquei alguns anos estudando suas possibilidades. Obviamente, ocorreu-me a idéia de fazer um curta em stopmotion, mas não era uma idéia fixa.
Comecei a pensar nas possibilidades técnicas que a fotografia poderia me oferecer, que estética o filme poderia ter, e acabou passando pela minha cabeça a idéia sugerida há tempos por um colega do curso, grande incentivador: "faça uma animação com pinhole, já pensou que legal?" Ao lembrar dessa conversa e das várias hipóteses que criamos naquele dia, um estalo veio à minha cabeça: como a câmera enxerga?
Quando se constroem câmeras artesanais, a todo momento se pensa: como ela registrará a cena? Haverá deformação da imagem ou não? Terá uma "visão" ampla ou restrita? Terá foco ou a imagem estará difusa? Que profundidade de campo terá sua "visão"? Imediatamente essas perguntas me pareceram bastante familiares pelo fato de haver inúmeras semelhanças entre fotografia e o mecanismo da visão humana.
Assim cheguei à idéia de trabalhar personagens que fossem, literalmente, câmeras fotográficas. Tal qual os humanos, eles teriam visões diferentes entre si e restritas a um ponto de vista. A proposta me pareceu rica de possibilidades, tanto que voltei ao estado do branco. rs
Queria produzir um trabalho onde fosse possível explorar a fotografia em algum momento. Dentro da minha formação na Licenciatura, essa foi uma das técnicas que mais me chamou a atenção e dediquei alguns anos estudando suas possibilidades. Obviamente, ocorreu-me a idéia de fazer um curta em stopmotion, mas não era uma idéia fixa.
Comecei a pensar nas possibilidades técnicas que a fotografia poderia me oferecer, que estética o filme poderia ter, e acabou passando pela minha cabeça a idéia sugerida há tempos por um colega do curso, grande incentivador: "faça uma animação com pinhole, já pensou que legal?" Ao lembrar dessa conversa e das várias hipóteses que criamos naquele dia, um estalo veio à minha cabeça: como a câmera enxerga?
Quando se constroem câmeras artesanais, a todo momento se pensa: como ela registrará a cena? Haverá deformação da imagem ou não? Terá uma "visão" ampla ou restrita? Terá foco ou a imagem estará difusa? Que profundidade de campo terá sua "visão"? Imediatamente essas perguntas me pareceram bastante familiares pelo fato de haver inúmeras semelhanças entre fotografia e o mecanismo da visão humana.
Assim cheguei à idéia de trabalhar personagens que fossem, literalmente, câmeras fotográficas. Tal qual os humanos, eles teriam visões diferentes entre si e restritas a um ponto de vista. A proposta me pareceu rica de possibilidades, tanto que voltei ao estado do branco. rs
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