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04/04/2012

CENÁRIOS [ 1 ]

Assim como já foi informado na postagem "Visualidade do filme", o aspecto dos cenários de Paralaxe foi pensado em conjunto com o argumento do filme e caracterização dos personagens. A contraposição das formas bi e tridimensional me pareceu fundamental para reforçar a relação entre a interpretação unilateral de cada ser diante da riqueza de faces que um ambiente oferece.

Decidi fazer o cenário com materiais reais em vez de construí-lo virtualmente por razões relativamente simples: conhecimento e afinidade técnica. Além disso, para o resultado estético que eu estava buscando, a maquere resolveria bem e eu conseguiria fazer dentro do prazo estipulado pelo cronograma de produção. Não me faltaram sugestões de caminhos digitais para isso mas os argumentos não me convenceram. Até porque, conforme disse na postagem "Conhecimentos técnicos", eu nunca havia trabalhado com modelagem/colagem digital e qualquer novo programa a ser aprendido demandaria um bom tempo de dedicação para compreendê-lo, fazer testes e só depois fazer executar o meu projeto. Decidi poupar tempo nesta parte indo pelo caminho que eu já conhecia, no qual eu poderia garantir um bom resultado, e guardar a paciência para aprender programas para a parte de animação e pós-produção.

Para a construção do cenário, a primeira coisa que a ser definida foi o formato e o layout. E isso já foi previsto no animático. Era necessário que os dois laboratórios e a sala central pudessem ser vistos lado a lado em um plano geral.

A disposição dos cômodos foi bastante adiantada durante a pré-visualização, feita em 3d. Mas ainda foi necessário planejar bastante e conferir a proporção dos ambientes individualmente, em relação aos personagens e aos elementos que iriam compor as cenas. A todo momento foram feitos testes para conferir essas medidas e os materiais adequados para cada revestimento. No fim das contas, ainda foram necessários alguns ajustes no processamento das imagens para melhorar alguns ângulos.












01/03/2012

Personagens [ 1 ]

Recomendo ler as postagens Visualidade do filme e Técnica para animar antes desta.

Os personagens de Paralaxe foram desenvolvidos durante a escrita da primeira versão do roteiro. Mesmo a trama original tendo tomado outro rumo, as características básicas deles foram mantidas. O Gabriel Brandão trabahou comigo na etapa de elaboração da visualidade dos personagens. Fizemos vários estudos em desenho e algumas colagens.








12/09/2011

Primeira versão do roteiro

O argumento inicial consistia em explorar a diferença de pontos de vista entre dois seres. Portanto, as tentativas de roteiro giraram em torno de possíveis conflitos entre os personagens. Pensei em conflitos étnicos, religiosos, políticos, entre classes sociais e até mesmo entre gerações distintas. Houve uma tentativa inicial que tendia à ordem política, com três personagens que precisariam definir um objeto para uma plateia. O conflito principal da trama se daria quando eles se deparassem com descrições completamente distintas e precisassem chegar a um consenso.

Na escrita desta primeira versão de roteiro, pude contar com a contribuição de Gabriel Brandão e Filipe C. Storck. Eles me ajudaram a compreender melhor o a construção do ritmo do filme e juntos pensamos num desfecho muito bacana.

(Um dia ainda vou fazer uma história só para ter um plano final bonito como esse, meninos!)

Infelizmente essa proposta foi descartada por exigir, entre outras coisas, uma produção maior do que a possível de ser feita durante o tempo do curso. Apesar disso, o conceito básico se sustentou e foi necessário "apenas" reformular a configuração da história. Personagens flexíveis, contexto adaptável.

05/06/2011

Principais referências

Para o desenvolvimento do conceito, do roteiro e da visualidade do filme, as referências foram bastante pontuais. A maior parte dos caminhos escolhidos estava em ressonância com alguma obra vista anteriormente.


Duas produções cinematográficas foram referências para a integração entre elementos bi e tridimensionais. São elas:

Viagem à lua (Le voyage dans la lune),
de Georges Méliès. França, 1901.


A invenção diabólica (Vynález zkázy),
de Karel Zeman. Tchecoslováquia, 1958.





A idéia de trabalhar o conceito de verdade/realidade a partir da fotografia trouxe alguns estudos teóricos do meio. Entre eles, Susan Sontag, em Ensaios sobre a fotografia:
"[...] a fotografia implica acesso instantâneo à realidade.
Mas os resultados dessa prática de acesso instantâneo
constituem outra forma de criar distanciamento.
Possuir o mundo em forma de imagens é, precisamente,
reexperimentar o quão irreal e remota é a realidade."
(SONTAG, 1981, p.157)





A visualidade da "verdade" foi inspirada no trabalho fotográfico dos artistas David Hockney e Christine Burrill, onde a imagem apresentada é composta por diversos fragmentos de pontos de vista:
David Hockney

Dawn - Christine Burrill


11/04/2011

Começando do começo

Este blog foi criado com o intuito de registrar a criação e a produção do meu primeiro curta metragem. É intenção também abrir  espaço para a troca de idéias a respeito das escolhas feitas durante o percurso e dos resultados obtidos.

Para este post inaugural, apresentarei a vocês o contexto de realização do curta. 

Pois bem: o curta Paralaxe faz parte do meu trabalho de conclusão de curso no Bacharelado em Artes Visuais, da Escola de Belas Artes da UFMG. A idéia inicial era produzir um curta com uma duração média de dois minutos, ao longo dos quatro semestres letivos (Ateliês 1, 2, 3 e 4) da habilitação em Cinema de Animação. Resumidamente, as fases da produção se dividiram da seguinte maneira:

Ateliê 1 - 1º semestre de 2009 - estudo e desenvolvimento do roteiro
Ateliê 2 - 2º semestre de 2009 - produção de storyboard e animático
Ateliê 3 - 1º semestre de 2010 - animação das cenas
Ateliê 4 - 2º semestre de 2010 - pós-produção


Este cronograma não foi cumprido à risca, precisei trancar um semestre. Atualmente estou cursando o último ateliê, prestes a começar a pós-produção.

Durante todo o processo tive o acompanhamento dos professores responsáveis de cada ateliê, que me orientaram quanto as alternativas cabíveis ao meu projeto. As decisões, no entanto, foram tomadas por mim, observando a todo momento a distância entre a idealização e a real possibilidade de trabalho, em função do tempo e das ferramentas que eu tinha em mãos. Pude também utilizar o estúdio e equipamentos fotográficos da EBA para fazer a composição dos personagens e registro dos cenários. A construção do cenário e as etapas de animação e pós-produção do filme foram feitas em minha casa.