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05/03/2012

Roteiro definitivo e pré-visualização

Recomendo ler a postagem Primeira versão do roteiro antes desta.

A pré-produção já estava bastante avançada quando percebi que não haveria tempo hábil para a produção da história do jeito que estava sendo proposta. Adrenalina é pouco para caracterizar o que foram as duas semanas de tentativa de criação de um novo roteiro. Criar sobre a pressão de um prazo não é a circunstância mais agradável, mas é muito utópico também acreditar que é uma equação insolucionável.

Procurei o Gabriel Brandão para me ajudar nessa empreitada. Procuramos conversar informalmente sobre as possibilidades, fazer um brain storm para conferir onde mais o conceito básico poderia se encaixar. Eis que no meio de uma conversa, durante um almoço, tivemos a idéia dos pesquisadores, diplomas, fotos, quadro com a palavra. E tudo se encaixou. Em casa, escrevemos um roteiro esquemático com as principais sequências e partimos para a pré-visualização.

Na versão anterior, eu havia escrito o roteiro, desenhado o storyboard, editado o animático e até preparado um pitching para apresentar em sala, no ateliê 2. Para essa nova versão, não dispunhamos de tanto tempo e partimos do roteiro direto para o animático, testando o timing dos planos e conferindo o grau de complexidade das cenas. O Gabriel se dispôs a modelar um protótipo dos personagens e do cenário em 3D para agilizar esse processo e assim construímos a primeira versão do animático de Paralaxe:


Isso me fez ganhar muito tempo na pré-visualização do filme, mas estranhei bastante a performance dos personagens com recorte por ter me acostumado com algumas atuações no 3D. Além disso, não foi possível transpor toda a previsão do animático (como o primeiro movimento de câmera idealizado) em função da limitação técnica do recorte. Em contrapartida, a técnica final atendeu às necessidades conceituais do filme e deu um ritmo ao movimento dos personagens que superou as expectativas.

Em Personagens - parte 2 há mais algumas informações sobre essa diferença entre as técnicas.


OBS.: a música utilizada no animático é o tango Caminito, de Juan de Dios Filiberto, e foi utilizada na produção do curta somente como referência, na etapa de pré-visualização.



12/09/2011

Primeira versão do roteiro

O argumento inicial consistia em explorar a diferença de pontos de vista entre dois seres. Portanto, as tentativas de roteiro giraram em torno de possíveis conflitos entre os personagens. Pensei em conflitos étnicos, religiosos, políticos, entre classes sociais e até mesmo entre gerações distintas. Houve uma tentativa inicial que tendia à ordem política, com três personagens que precisariam definir um objeto para uma plateia. O conflito principal da trama se daria quando eles se deparassem com descrições completamente distintas e precisassem chegar a um consenso.

Na escrita desta primeira versão de roteiro, pude contar com a contribuição de Gabriel Brandão e Filipe C. Storck. Eles me ajudaram a compreender melhor o a construção do ritmo do filme e juntos pensamos num desfecho muito bacana.

(Um dia ainda vou fazer uma história só para ter um plano final bonito como esse, meninos!)

Infelizmente essa proposta foi descartada por exigir, entre outras coisas, uma produção maior do que a possível de ser feita durante o tempo do curso. Apesar disso, o conceito básico se sustentou e foi necessário "apenas" reformular a configuração da história. Personagens flexíveis, contexto adaptável.

Universo da trama

Mais do que decidir o número de figuras atuantes ou o próprio roteiro, num primeiro momento foi necessário pautar o funcionamento do universo da trama. Para isso, fiz uma pesquisa sobre os elementos óticos e fotográficos poderiam dar suporte à ideia inicial. E, dentro do assunto estabelecido, surgiram situações que poderiam ser representadas pelos personagens.




05/06/2011

Principais referências

Para o desenvolvimento do conceito, do roteiro e da visualidade do filme, as referências foram bastante pontuais. A maior parte dos caminhos escolhidos estava em ressonância com alguma obra vista anteriormente.


Duas produções cinematográficas foram referências para a integração entre elementos bi e tridimensionais. São elas:

Viagem à lua (Le voyage dans la lune),
de Georges Méliès. França, 1901.


A invenção diabólica (Vynález zkázy),
de Karel Zeman. Tchecoslováquia, 1958.





A idéia de trabalhar o conceito de verdade/realidade a partir da fotografia trouxe alguns estudos teóricos do meio. Entre eles, Susan Sontag, em Ensaios sobre a fotografia:
"[...] a fotografia implica acesso instantâneo à realidade.
Mas os resultados dessa prática de acesso instantâneo
constituem outra forma de criar distanciamento.
Possuir o mundo em forma de imagens é, precisamente,
reexperimentar o quão irreal e remota é a realidade."
(SONTAG, 1981, p.157)





A visualidade da "verdade" foi inspirada no trabalho fotográfico dos artistas David Hockney e Christine Burrill, onde a imagem apresentada é composta por diversos fragmentos de pontos de vista:
David Hockney

Dawn - Christine Burrill


11/04/2011

Idéias iniciais para o roteiro

O início da elaboração do roteiro me pareceu semelhante a estar diante de uma grande tela em branco: tudo pode, mas não cabe tudo. Branco é a mistura de todas as possibilidades, seja de cores ou de idéias. É preciso fazer escolhas, muitas escolhas, durante o processo de criação. A fase do branco é crítica e tensa, mas passageira.
 
Queria produzir um trabalho onde fosse possível explorar a fotografia em algum momento. Dentro da minha formação na Licenciatura, essa foi uma das técnicas que mais me chamou a atenção e dediquei alguns anos estudando suas possibilidades.  Obviamente, ocorreu-me a idéia de fazer um curta em stopmotion, mas não era uma idéia fixa.
 
Comecei a pensar nas possibilidades técnicas que a fotografia poderia me oferecer, que estética o filme poderia ter, e acabou passando pela minha cabeça a idéia sugerida há tempos por um colega do curso, grande incentivador: "faça uma animação com pinhole, já pensou que legal?" Ao lembrar dessa conversa e das várias hipóteses que criamos naquele dia, um estalo veio à minha cabeça: como a câmera enxerga?
 
Quando se constroem câmeras artesanais, a todo momento se pensa:  como ela registrará a cena? Haverá deformação da imagem ou não? Terá uma "visão" ampla ou restrita? Terá foco ou a imagem estará difusa? Que profundidade de campo terá sua "visão"? Imediatamente essas perguntas me pareceram bastante familiares pelo fato de haver inúmeras semelhanças entre fotografia e o mecanismo da visão humana.
Assim cheguei à idéia de trabalhar personagens que fossem, literalmente, câmeras fotográficas. Tal qual os humanos, eles teriam visões diferentes entre si e restritas a um ponto de vista. A proposta me pareceu rica de possibilidades, tanto que voltei ao estado do branco. rs