O filme foi selecionado para compor a 2º edição do NAU - Festival de Cinema e Fotografia Jovem, e será exibido nesta sexta, dia 1º de junho de 2012, na sessão das 21h30min. Este festival acontece em Pedrouços, Portugal e tem como proposta valorizar trabalhos feitos em língua portuguesa, produzidos por jovens artistas, tanto em Fotografia quanto no Cinema. As mostras são competitivas nos dois formatos.
Quem acompanhou a produção de Paralaxe ou tem acompanhado as postagens do blog, sabe o quanto a Fotografia norteou todo o conceito do filme! Não poderia haver festival mais apropriado para a estreia! Estou muito feliz com esta notícia! Parabéns a todos que se envolveram na produção deste curta, especialmente Gabriel Brandão, Geovane Paiva, Nivea Raf, Paulo Moreira, Thiago Braz e Basilio Ribeiro!
O site do NAU ainda não foi atualizado com esta informação mas, para quem se interessar, há muitas informações sobre o festival na página do facebook deles: facebook.com/naufestival.
PARALAXE acaba de ser selecionado para a 20ª edição do Festival Internacional de Animação do Brasil, o Anima Mundi!!! Ainda não consigo entender a dimensão exata do que isso significa, mas estar no meio de tantas produções sensacionais do mundo todo em um dos maiores festivais de animação da América Latina... nuh! Bom demais!
Agradeço mais uma vez a todos os que tocaram este barco comigo: Gabriel Brandão, Nivea Raf, Geovane Paiva, Paulo Moreira, Thiago Braz e Basilio Ribeiro! Também agradeço aos que sopraram o vento que nos guiou: família, amigos, professores da Escola de Belas Artes! Sintam-se responsáveis por esta conquista também!
A pré-produção já estava bastante avançada quando percebi que não haveria tempo hábil para a produção da história do jeito que estava sendo proposta. Adrenalina é pouco para caracterizar o que foram as duas semanas de tentativa de criação de um novo roteiro. Criar sobre a pressão de um prazo não é a circunstância mais agradável, mas é muito utópico também acreditar que é uma equação insolucionável.
Procurei o Gabriel Brandão para me ajudar nessa empreitada. Procuramos conversar informalmente sobre as possibilidades, fazer um brain storm para conferir onde mais o conceito básico poderia se encaixar. Eis que no meio de uma conversa, durante um almoço, tivemos a idéia dos pesquisadores, diplomas, fotos, quadro com a palavra. E tudo se encaixou. Em casa, escrevemos um roteiro esquemático com as principais sequências e partimos para a pré-visualização.
Na versão anterior, eu havia escrito o roteiro, desenhado o storyboard, editado o animático e até preparado um pitching para apresentar em sala, no ateliê 2. Para essa nova versão, não dispunhamos de tanto tempo e partimos do roteiro direto para o animático, testando o timing dos planos e conferindo o grau de complexidade das cenas. O Gabriel se dispôs a modelar um protótipo dos personagens e do cenário em 3D para agilizar esse processo e assim construímos a primeira versão do animático de Paralaxe:
Isso me fez ganhar muito tempo na pré-visualização do filme, mas estranhei bastante a performance dos personagens com recorte por ter me acostumado com algumas atuações no 3D. Além disso, não foi possível transpor toda a previsão do animático (como o primeiro movimento de câmera idealizado) em função da limitação técnica do recorte. Em contrapartida, a técnica final atendeu às necessidades conceituais do filme e deu um ritmo ao movimento dos personagens que superou as expectativas.
Em Personagens - parte 2 há mais algumas informações sobre essa diferença entre as técnicas.
OBS.: a música utilizada no animático é o tango Caminito, de Juan de Dios Filiberto, e foi utilizada na produção do curta somente como referência, na etapa de pré-visualização.
Os personagens de Paralaxe foram desenvolvidos durante a escrita da primeira versão do roteiro. Mesmo a trama original tendo tomado outro rumo, as características básicas deles foram mantidas. O Gabriel Brandão trabahou comigo na etapa de elaboração da visualidade dos personagens. Fizemos vários estudos em desenho e algumas colagens.
A minha experiência com animação antes de iniciar a produção de Paralaxe consistia em: exercícios de desenho animado, experimentações de stopmotion e brinquedos óticos e um pequeno curta produzido em grupo, todos durante o curso de Artes Visuais.
Não havia ainda animado personagens diretamente no computador. Todo o conhecimento relativo às ferramentas para animação e edição foi adquirido durante a produção de Paralaxe, às vezes até em caráter emergencial. Isso porque, sem conhecer as características procedimentais da técnica "recorte digital", não consegui prever algumas manobras necessárias para o fluxo de trabalho seguir tranquilamente. Felizmente, em momentos tensos como esses, pude contar com a ajuda de animadores próximos, dispostos a me ajudarem e com uma paciência indescritível! rs
Quando eu estava com o animático definido e iniciando a produção dos cenários, a Marilia Poggiali me apresentou o processo de produção de seu filme, Cortejo, animado na técnica que eu pretendia e finalizado há alguns meses. Uma consultoria (vip!), que me ajudou a entender o funcionamento e recursos para as camadas dos personagens, as limitações técnicas dos movimentos, a relação disso com os cenários e as atuações, possibilidade de o projeto exigir adaptações, organização do material e outras coisas mais. Enfim, informações valiosas para essa e outras técnicas, mas essenciais para planejar os layouts e animar.
Depois de ter todos os recortes e cenários organizados, foi a vez de tomar mais algumas aulas com o Gabriel Brandão, que me ajudou a compreender e a tocar o funcionamento dos programas de animação, composição e edição. Consultorias valiosíssimas e aliviantes, em situações completamente incógnitas. Ele também me deu uma força na pós produção.
Diversas vezes, a dificuldade em lidar com tantos programas e ferramentas desconhecidas, tornou o processo muito próximo do doloroso. Por mais que eu pudesse contar com a ajuda de pessoas próximas, a maior parte do filme foi feita por mim, completa iniciante em relação a essas tecnologias. E, não tem jeito, meu raciocínio é analógico! rsrs Por mais que eu quisesse alcançar um alto nível de excelência neste trabalho, estaria constantemente limitada por não garantir o alcance deste objetivo em todas as fases da produção do curta. Após cada dura etapa concluída, senti claramente onde estavam minhas reais aptidões dentro do "fazer animação", e onde eu, definitivamente, não tinha competência dentro do processo. Por essas e outras é que Cinema precisa ser feito coletivamente.
"Rotineiramente desqualificamos testemunhos e exigimos comprovação. Isto é, estamos tão convencidos da justeza de nosso julgamento que invalidamos provas que não se ajustem a ele. Nada que mereça ser chamado de verdade pode ser alcançado por esses meios."
O argumento inicial consistia em explorar a diferença de pontos de vista entre dois seres. Portanto, as tentativas de roteiro giraram em torno de possíveis conflitos entre os personagens. Pensei em conflitos étnicos, religiosos, políticos, entre classes sociais e até mesmo entre gerações distintas. Houve uma tentativa inicial que tendia à ordem política, com três personagens que precisariam definir um objeto para uma plateia. O conflito principal da trama se daria quando eles se deparassem com descrições completamente distintas e precisassem chegar a um consenso.
Na escrita desta primeira versão de roteiro, pude contar com a contribuição de Gabriel Brandão e Filipe C. Storck. Eles me ajudaram a compreender melhor o a construção do ritmo do filme e juntos pensamos num desfecho muito bacana.
(Um dia ainda vou fazer uma história só para ter um plano final bonito como esse, meninos!)
Infelizmente essa proposta foi descartada por exigir, entre outras coisas, uma produção maior do que a possível de ser feita durante o tempo do curso. Apesar disso, o conceito básico se sustentou e foi necessário "apenas" reformular a configuração da história. Personagens flexíveis, contexto adaptável.
O início da elaboração do roteiro me pareceu semelhante a estar diante de uma grande tela em branco: tudo pode, mas não cabe tudo. Branco é a mistura de todas as possibilidades, seja de cores ou de idéias. É preciso fazer escolhas, muitas escolhas, durante o processo de criação. A fase do branco é crítica e tensa, mas passageira. Queria produzir um trabalho onde fosse possível explorar a fotografia em algum momento. Dentro da minha formação na Licenciatura, essa foi uma das técnicas que mais me chamou a atenção e dediquei alguns anos estudando suas possibilidades. Obviamente, ocorreu-me a idéia de fazer um curta em stopmotion, mas não era uma idéia fixa. Comecei a pensar nas possibilidades técnicas que a fotografia poderia me oferecer, que estética o filme poderia ter, e acabou passando pela minha cabeça a idéia sugerida há tempos por um colega do curso, grande incentivador: "faça uma animação com pinhole, já pensou que legal?" Ao lembrar dessa conversa e das várias hipóteses que criamos naquele dia, um estalo veio à minha cabeça: como a câmera enxerga? Quando se constroem câmeras artesanais, a todo momento se pensa: como ela registrará a cena? Haverá deformação da imagem ou não? Terá uma "visão" ampla ou restrita? Terá foco ou a imagem estará difusa? Que profundidade de campo terá sua "visão"? Imediatamente essas perguntas me pareceram bastante familiares pelo fato de haver inúmeras semelhanças entre fotografia e o mecanismo da visão humana.
Assim cheguei à idéia de trabalhar personagens que fossem, literalmente, câmeras fotográficas. Tal qual os humanos, eles teriam visões diferentes entre si e restritas a um ponto de vista. A proposta me pareceu rica de possibilidades, tanto que voltei ao estado do branco. rs